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SAIBA COMO O FONOAUDIÓLOGO PODE AVALIAR E REABILITAR PACIENTES COM DISLEXIA

Bom, vamos falar um pouco da Dislexia?

Muitas crianças apresentam dificuldades escolares entre o primeiro e o segundo ano do ensino fundamental. Uma delas pode ser a dislexia.

E o que seria isso?

Segundo a Associação Internacional de Dislexia (2002) :

“ A dislexia é uma deficiência de aprendizagem específica de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades com o reconhecimento de palavras precisas e / ou fluentes e pela baixa capacidade de ortografia e decodificação. Essas dificuldades tipicamente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem que é muitas vezes inesperado em relação a outras habilidades cognitivas. Consequências secundárias podem incluir problemas de compreensão de leitura e redução da experiência de leitura que podem impedir o crescimento do vocabulário e do conhecimento básico. “ 1

Diante desta definição podemos entender que a dislexia não se dá por uma má escolarização, por problemas emocionais ou por déficits cognitivos. Porém tais fatores, como a metodologia de alfabetização, fatores emocionais e sócio-econômicos-culturais, podem agravar o quadro.

A dislexia é de origem  hereditária, causada por uma desordem neurobiológica. Estudos mostram que entre 23 e 65% das crianças com pais disléxicos apresentaram dificuldades em leitura, evidenciando que a identificação pode ser realizada precocemente 2.

O indivíduo com dislexia possui inteligência normal, ou seja, ele não é mais nem menos inteligente que o restante da população. A maneira com que eles pensam podem até ser uma maneira especial de criar grandes coisas.

Então qual a dificuldade que o disléxico tem de fato?

Antigamente entendia-se que a dislexia seria uma dificuldade somente de leitura, ou seja, dificuldade de ler e compreender o que era lido. Hoje sabe-se que as manifestações vão além disso. O disléxico apresenta sim uma dificuldade de leitura, ou seja, uma lentificação da leitura, dificuldades de decodificação ( identificar a letra e qual o som que ela faz), trocas fonológicas ( trocas que chamamos de surdas-sonoras, exemplo: bola – pola , fazer – vazer , dentadura – tentadura …), dificuldade de compreensão do que é lido, além de inverter, retirar, acrescentar e substituir letras e sílabas.

Porém a dificuldade não fica só na leitura, o disléxico apresenta dificuldades na escrita também, como as trocas fonológicas, dificuldades com regras ortográficas e dificuldade de desenvolvimento de textos,  além de inverter, retirar, acrescentar e substituir letras e sílabas.

Então, podemos concluir que a dislexia só aparece nas disciplinas de português e redação. Não!!

O indivíduo com dislexia apresenta dificuldades matemáticas. Ele não apresenta dificuldades com raciocínio lógico, mas ele pode apresenta inversão de sinais, inversão de números e pode não entender o raciocínio do cálculo por conta do texto que envolve o cálculo.

Ele pode ter dificuldades em disciplinas que envolvem texto e memória. Já que precisa ler, entender e muitas vezes memorizar o conteúdo.

A dislexia envolve também, atenção, memória e disfunção nos processamentos visuais e auditivos. Os disléxicos em sua maioria apresentam atraso de fala, alterações fonológicas na fala ( trocas que chamamos de surdas-sonoras, exemplo: bola – pola , fazer – vazer , dentadura – tentadura …) e dificuldades psicomotoras. As dificuldades podem ficar mais visíveis no primeiro ano do ensino fundamental, por conta da dificuldade de alfabetização.

É importante que ao perceber algumas dessas dificuldades a criança faça uma avaliação fonoaudiológica para que a criança entre em intervenção caso necessário. Não significa que se a criança apresentar tais dificuldades ela seja disléxica, porém é importante a avaliação para que seja feito um diagnóstico preciso e precoce.

O diagnóstico da dislexia é feito aos 9 anos de idade. Antes desta idade se a criança pontuar para dislexia ela é considerada de risco para a dislexia, e a intervenção já começa. Aos 9 anos é realizada a reavaliação, e se a criança pontuar para dislexia, ela é diagnosticada de fato. Esse tempo de intervenção antes dos 9 anos é importantíssimo, pois a criança é exposta a estímulos significativos que ajudarão mais tarde no diagnóstico diferencial.

As pessoas com dislexia podem levar uma vida escolar difícil, por conta de suas dificuldades e muitas vezes a escola não entende o motivo dessas dificuldades. E por isso essas crianças são tratadas como preguiçosas, malandras, e muitas outras coisas. A escola e os pais devem ficar atentos às dificuldades da criança e caso observe algo diferente.

Quanto mais cedo essa criança for avaliada e tratada, menor será o impacto dessas alterações na vida escolar, social e emocional. A dislexia não tem cura, mas com a avaliação, orientação e tratamento corretos, os indivíduos com dislexia aprendem estratégias que auxiliam a leitura, a escrita e os processos envolvidos.  Como exemplos de pessoas com dislexia que realizaram grandes coisas, temos: Thomas Edison, Stephen Spielberg, F. Scott Fitzgerald e Charles Schwab.

A dislexia é um assunto vasto, em breve falaremos mai sobre os tipos de dislexia, adaptações escolares, dentre outros.

Referências

1- Associação Internacional de Dislexia, 2002. http://www.dislexia.org.br/ 2- Capellini AS. Desempenho em consciência fonológica, memória operacional, leitura e escrita na dislexia familial. Pró-Fono Revista de Atualização Científica. 2007; 19(4): 374-380.

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