A tontura é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos, e acomete mais mulheres que homens.

O equilíbrio depende dos sistemas visual, sensório-motor e vestibular, e da integração de suas atividades no sistema nervoso central.

As queixas de desequilíbrio corporal como vertigens, tonturas, sensação de flutuação, desequilíbrio, sensação de quedas, acarretam insegurança em relação à capacidade dos indivíduos de exercerem atividades físicas rotineiras, como caminhar, levantar da cadeira ou deitar-se, sendo em muitos casos incapacitantes para sua rotina diária de atividades, principalmente em idosos.

A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é caracterizada por episódios breves de vertigem, com duração de poucos segundos, provocados por mudanças na posição da cabeça (virar-se na cama, olhar para cima, deitar ou levantar, curvar-se). A vertigem pode vir acompanhada de náuseas, vômitos e de um tipo específico de nistagmo (movimento espasmódico dos olhos em uma direção, alternando com um retorno mais lento para a posição original), sensação de cabeça oca ou pesada, perda do equilíbrio, instabilidade postural. A VPPB é a causa mais freqüente da vertigem.

Na VPPB, cristais de carbonato de cálcio, chamados de otocônias saem do lugar de onde deveriam ficar alojados na orelha interna e entram em um dos canais semi-circulares – normalmente o canal posterior. Quando você move sua cabeça de uma certa maneira, os cristais movem dentro do canal, irritam as terminações nervosas, e ocasiona a tontura.

 

Diagnóstico

É possível determinar o diagnóstico clínico da VPPB baseado na descrição dos sintomas e das circunstâncias em que os sintomas aparecem.

Geralmente, o teste usado na clínica para confirmar o diagnóstico é a manobra de Dix-Hallpike, capaz de e identificar qual canal do labirinto está acometido, para definir a conduta pertinente. Além da(s) manobra(s), o médico pode pedir exames de imagem, a vectoetronistagmografia, que ajuda a localizar movimentos oculares anormais, e a ressonância magnética, importante para estabelecer o diagnóstico diferencial com outras enfermidades que possam apresentar sintomas semelhantes.

 

tratamento da tontura

Tratamento da tontura

Uma das formas de abordagem para recuperação das chamadas “tonturas” é a Reabilitação Vestibular (RV), é um tratamento complementar, não invasivo, baseado em manobras e exercícios físicos repetitivos de olhos, cabeça e corpo, que visa a recuperar o equilíbrio corporal, indicado para pacientes com desordens do equilíbrio, como nos casos da VPPB, cinetose, vertigens crônicas, Doença de Menière e no déficit sensorial múltiplo em idosos.

Os exercícios da RV visam melhorar a interação vestibulovisual durante a movimentação cefálica, ampliar a estabilidade postural estática e dinâmica nas condições que produzem informações sensoriais conflitantes e diminuir a sensibilidade individual à movimentação cefálica.

Os objetivos principais da reabilitação vestibular são: promover a estabilização visual e aumentar a interação vestibulo-visual durante a movimentação da cabeça; proporcionar melhor estabilidade estática e dinâmica nas situações de conflito sensorial e diminuir a sensibilidade individual durante a movimentação cefálica. Os exercícios de olhos, cabeça e corpo favorecem a compensação do sistema nervoso central, diminuindo ou eliminando as respostas anormais dos movimentos da cabeça, exercícios de controle postural e condicionamento das atividades gerais, a habituação que  consiste na repetição de estímulos sensoriais, que facilita a compensação vestibular graças à plasticidade neuronal.

Os resultados são obtidos através de execução de movimentos repetitivos, que diminui a resposta vestibular e a amplitude do nistagmo. A repetição, além de promover adaptação ao movimento, estimula o órgão sensorial, criando novos automatismos responsáveis pelo equilíbrio corporal, promovendo a diminuição ou ausência dos sintomas, e melhora da qualidade de vida do paciente.

 

Quem pode se beneficiar com a RV?

 Crianças, adultos e idosos que apresentam sintomas como: vertigem (sensação de caráter rotatório), visão embaralhada e/ou caminhar oscilante, escurecimento da visão, sensação de flutuação, tontura.

 

Heloisa Soares – CRFa 6 – 6497

Este artigo foi escrito por nossa fonoaudióloga Dra. Heloisa Soares que é especialista em voz. Possui graduação em Fonoaudiologia, certificação Internacional do Método Lee Silvermann (terapia de voz para Parkinson), aprimoramento em reabilitação vestibular para tontura e Processamento Auditivo Central.

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